James May fala sobre a birita

Algo que descobri quando era relativamente jovem foi que não é possível beber e tocar piano.

Isto ainda me surpreende, pois sem dúvida nenhuma, jogo dardos muito melhor depois de três “pints”, precisamente. Após duas “pints”, ainda não tenho boa mira, e após quatro, as pessoas se protegem atrás dos móveis e retiram entalhes Vitorianos valiosos para evitar possíveis danos. Mas tendo bebido três “pints”, atinjo um ponto ideal da minha memória muscular, e as lanças brilhantes do meu empenho voam tão seguramente quanto Hermes.

Algo similar acontece com bilhar, mas só preciso de duas “pints”. Esse sentido inato, que todo bom jogador de bilhar possui, de compreender exatamente as complexas forças Newtonianas das bolas surge nas minhas entranhas como um momento de clareza apreciado quando tentando resolver um problema difícil. Lá vai a bola azul, de muito longe. Viu isso?

Nunca fui muito chegado a esportes, mas fico imaginando se sou bom em outros jogos, após algumas loirinhas. Eu era particularmente ruim no críquete na escola, mas claro, eles nunca me deram umas brejas primeiro. Eu poderia ter sido brilhante.

É por isso que, junto com minhas outras pouquíssimas ambições, está a vontade de organizar um evento esportivo chamado “Olimpíadas do Porre”. Ao invés de preocupar-me com abuso de drogas, eu nivelaria tudo exigindo que todos os atletas bebam oito latas da horrível cerveja com logos de supermercados antes de entrarem no estádio.

Isto tornaria as Olimpíadas mais “inclusivas”, pois as qualidades necessárias para vencer são aprendidas no bar, e mais gente vai à bares do que para clubes esportivos. Isto também tornaria o salto com vara mais interessante.

Mas voltando ao piano – não. Não consigo tocá-lo se tiver uma gota de álcool dentro de mim. Além do mais, a experiência não é tão boa, porque a música passa por ouvidos embriagados, e o simples prazer palpável de tocar as teclas fica corrompido. E tem-se a impressão alarmante de que o piano está prestes a cair sobre mim.

Isto me leva ao assunto espinhoso de beber e dirigir. De fato, o melhor argumento contra não tem base moral; o álcool estraga o ato de dirigir. Dirigir é meio como tocar um instrumento, se trata de sensações sutis, e beber as entorpecem. Álcool é como ter freios e dirigibilidade de carros dos anos 1950 em uma garrafa.

Então, se uma BMW M3 está vindo em sua direção numa via estreita, e o motorista ao volante tomou todas, efetivamente você está em rota de colisão com um Triumph Mayflower.

Você pode ser uma daquelas pessoas mais velhas que afirmam serem motoristas melhores após beber alguma coisa, mas você apenas acha que é. Você chega num ponto onde eu acredito que posso dançar. A diferença é que já fizeram vídeos de mim dançando, então eu sei que estou enganado.

Tendo pensado nisto um pouco, agora sei que o interior é muito mais perigoso do que eu achava que fosse. Já é bem perigoso, pois é muito escuro, cheira engraçado, é feito para torcer seu tornozelo e, além disso, Richard Hammond mora lá.

E aí, têm os bares. Não posso deixar de notar que muitos deles estão no meio de lugar nenhum. Não há linhas de ônibus por perto, como os moradores do interior vivem nos lembrando na Radio 4, então a única maneira de chegar lá é dirigindo.

Será que tem gente que faz todo esse esforço apenas para tomar meia shandy? Eu duvido. E aí, eles têm que voltar para casa. Há outro problema aqui; os perigos de se beber e dirigir são exatamente iguais aos perigos do próprio ato de beber. Assim que você tomou algumas, você está bêbado demais para perceber que você não deveria beber mais.

Não tem nada de mais se tudo que você for fazer é cambalear por algumas centenas de metros e tentar dormir na lixeira do seu vizinho, mas se algo parecido com uma cama for como uma jornada de 7 quilômetros através de pântanos e florestas habitadas por gente maluca, então você vai querer a segurança e a proteção do carro. Meu conselho para os bêbados interioranos é: se for se deixar levar, tenha certeza que realmente deixará alguém levá-lo para casa.

Olha, eu adoro beber, e acho que isto une o mundo. Eu defenderia até a morte nosso direito de beber uma, contra os reformistas caretas. Mas não dá para misturar isso com direção.

Beber e dirigir destrói carros.

Fonte: Top Gear
Tradução: John Flaherty

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Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 19/08/11, em Matérias traduzidas e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.

  1. Diferentemente do ” discurso ” do Jeremy sobre potência, esse aqui é simplesmente a cara do James!!
    Porém, não deixam também de ser sábias palavras. Beber e dirigir não está com nada mesmo!

    ” […] agora sei que o interior é muito mais perigoso do que eu achava que fosse. Já é bem perigoso, pois é muito escuro, cheira engraçado, é feito para torcer seu tornozelo e, além disso, Richard Hammond mora lá ”
    Eu ri muito disso!! uaehueaheauheaueaheauhueah

  2. Simplesmente fantástico este texto!!
    Esse blog sem dúvida é o melhor!! É simplesmente o blog oficial do top gear, mas traduzido!!

    Parabéns a todos que trabalham para manter este site no ar e com tantas notícias. Na medida do possível estarei ajudando vocês em alguns assuntos como notícias, episódios….

    Acerca deste texto, sem dúvida nenhuma é a cara do James!! E muito importante o que ele fala pois não se deve beber e dirigir, pois como ele mesmo disse….”…isso destrói carros”. e isso pra mim é inadimissível…..kkkk

    Abraços a todos!!!

  3. Muito bom o texto, valeu John!

    James May tem (ou tinha) um programa sobre bebidas com Oz Clarke que é um enólogo, os dois saem viajando a Europa de carro, James May vai virando todas e Oz vai degustando, em uma das temporadas eles tinham um Trailer para dormir logo após saírem do bar.

    Cheguei até a comentar isso no seu blog John, não sei se você viu, mas seria legal traduzi-los também, já que está com intenção de traduzir “James May on the Moon”!

    Abraço

  4. _essa questão de beber é complicado, pois nunca fiquei bebado e nem dirigi bebado, bebida para mim é uma droga q com o tempo irá te matar como a cocaina e crack, e a pendencia do vicio, te consome todo, mas algumas pessoas q bebem e depois dizem q se tornam melhores em alguma coisa, na verdade se tornam + agressivos visando q dirige melhor, porem + perigosamente!!

  5. imagine ele bebendo e tocando piano ? meu deus do céu seria engraçado

  6. vinicius de moura ribeiro

    Achei um video mostrando o carro novo da porsche o rs 4.0 bem lko vejam http://www.youtube.com/user/Gumbal

  7. Muito obrigado pelas traduções!

  8. Não posso deixar de falar que eu já bebi e dirige, e sempre faço isso nos finais de semana, infelizmente! Porém não passo dos 60km/h pois minha namorada além de não deixar, eu tenho plena consciência da cagada que posso fazer, e enquanto ela não tira a carteira não tenho outra solução.
    Apesar de nunca ter ficado bêbado como um gambá de sair trançando as pernas, só fiz isso uma vez e estava de carona.

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