Richard Hammond fala sobre modificar carros

Os escoceses revelaram recentemente que os jovens têm expectativas não-realistas sobre suas remunerações no futuro. Eles esperam receber mais de £60 mil (R$160 mil) por ano quando chegarem aos 30 anos, mas de acordo com algumas estimativas, não irão ganhar mais do que £0,20 (R$0,53) por semana quando comemorarem seu 31º aniversário. Bem, eu tenho a resposta: uma oportunidade de negócios para o jovem fã de carros, mesmo aquele com a mínima habilidade mecânica, para fazer quadrilhões de libras e fornecer um serviço tão valioso que receberão títulos de cavaleiros da Rainha. Por favor, peguem papel e caneta, e sigam lendo.

Todos sabem que eu gosto de Land Rovers velhos. Há alguns anos, eu até revelei que gostava de modificar caixotes velhos feitos décadas atrás em Solihull, evitando que a imprensa fizesse quaisquer revelações ruins para minha imagem. Meu 110 preto bastante modificado já foi assunto na revista Top Gear, mostrando para quem quisesse ver o tempo, a atenção e a enorme quantidade de grana dispensados por mim no seu motor V8 feito à mão, suspensão alterada, montes de refletores, eixos modificados e por aí vai.

Então, seria apropriado que eu devesse presentear minha esposa, no dia do aniversário do nosso casamento, com um Land Rover. E não um Land Rover qualquer; era o mesmo 110 station-wagon velho que compramos como nosso primeiro carro para a família há mais de uma década, e rapidamente virou um membro da nossa pequena família, levando nós, nossa primeira filha e nosso primeiro cão em viagens e nos feriados, até mesmo como convidado no nosso casamento, completo com fitas decorativas.

Dez anos depois, e no único gesto romântico que já fiz nos 15 anos ao lado da Mindy, procurei aquele mesmo “Landie”, comprei ele, coloquei umas fitas nele e o estacionei na frente de nossa casa como um presente de aniversário. Depois de muitas lágrimas, andamos com ele para o pub e para um jantar de aniversário. E enquanto dirigia-o no caminho de volta, algo terrível me veio a mente. O “Wally-car” – um 110 Station Wagon completamente surrado com espaço para 12 pessoas, tem um motor 300 Tdi e é completamente básico (com exceção dos pontos de ferrugem ao redor de todos os rebites que uniam a carroceria ao chassi praticamente arruinado e todos os outros pequenos arranhões e amassados que acabam acumulando depois de 349 mil quilômetros – parecia melhor que meu Land Rover bastante modificado.

A direção, que só precisava manobrar os finos pneus de fábrica instalados em estreitas rodas de aço – ao invés de virar os enormes e agressivos “devoradores de chão” que instalei nas enormes rodas do meu carro – parecia neutra, natural e suave em comparação. Eu instalei um eixo traseiro de Discovery no meu “Landie” para ter freios a disco na traseira, melhorando a frenagem. Os freios do “Wally-car” são a disco na frente e a tambor atrás, mas ao invés de berrar e chiar ao terem que controlar a inércia transmitida a várias toneladas de alumínio e aço por um V8 lerdo e moroso, eles simplesmente fazem o carro parar delicadamente. As janelas não chiam e tremem com o esforço de terem que segurar o vento quando está 16 km/h acima da velocidade máxima, e os faróis não acabam com a bateria, apesar de todo o esforço do alternador para aguentar enorme demanda extra dos refletores, que são tão brilhantes que fazem navios se acidentarem nas costas durante noites tempestuosas. Ele é melhor em todos os sentidos do que meu “Landie” modificado. Ou para ser preciso, é melhor em cada uma das partes que modifiquei no meu carro. E a experiência serviu para que eu confirmasse, de uma vez por todas, o que eu suspeitava mas não consegui aceitar: modificar carros simplesmente não dá certo.

Mas já está feito; eu o modifiquei e me arrependo disto. E eis a oportunidade: se você for um daqueles caras que deixam a faculdade e não enxergam muitas oportunidades, ou estão no meio de suas carreiras e querem uma mudança, vocês poderiam abrir um negócio próprio como “de-modificadores” de carros. Montem um estoque de peças normais para os carros mais comumente mexidos – desde “Landies” até “hot hatches” – e ofereçam um serviço onde você pega carros tristemente arruinados e devolve-os novos, limpos e felizes de novo para seus donos. O trabalho será fácil, porque você simplesmente removerá tudo que idiotas como eu instalaram com um par de alicates e alguma fita isolante. Apenas com uma garagem e uma caixa de ferramentas simples, você irá curtir os agradecimentos de clientes felizes, ficará rico e comprará qualquer carro que quiser. Só não vá mexer nele.

Pronto, não cobrarei nada por essa dica.

Fonte: Top Gear
Tradução: John Flaherty

Toda Quarta-Feira, traremos artigos escritos por Richard “Hamster” Hammond, falando sobre vários tópicos, quase todos sobre carros. Fiquem ligados.

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Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 24/08/11, em Matérias traduzidas e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. Pow, muito legal. Esses 3 seres falam de carros com uma propriedade rara, dando vida aos assuntos. O cara consegue falar em “destuning” (marca registrada lol) de uma forma interessante, leve e até engraçada. Não tem como não ser fã. XD
    E parabéns ao pessoal do site, que a cada hora descobre mais recheios para colocarmos entre os episódios/temporadas, nesse delicioso sanduíche chamado Top Gear.
    Valeu \o/

  2. Jeferson

    A versão americana deste incrível programa europeu deixa, “e muito”, á desejar.
    Simplesmente não funciona direito, não tem o primor técnico caracteristico do programa e a paixão declarada de seus apresentadores por diferentes estirpes de veículos.
    É mais ou menos o que ocorre em quase todos os programas americanos que envolven veículos, uma salada de Gag’s previsíveis, enfadonhas e despropositadas, que não adicionam nada ao intusiasta automotivo.
    Péssimo a BBC ter feito o que fez com o John; Já vi diversos capitulos legendados por ele e digo, esta de parabéns meu amigo.
    Um muito obrigado á você.

    • Paulo Freire

      Dá um tempo cara, vai ver os primeiros episódios do Top Gear para ver a tristeza.

      • Alfredo.Araujo

        Tem razão !! O Top Gear UK de hoje foi forjado por anos e anos de técnicas aperfeicoadas !!!
        E a unica coisa q o Top Gear US deve ao UK, são os apresentadores… e mesmo assim eu acho esses americanos bem dos divertidos…

  3. \o/\o/\o/

    Estes artigos são “Sub Zero”!!!!

    Muito obrigado!

  4. Concordo plenamente com ele!

    Un-pimp your ride! Como diz aquela propaganda do Golf GTI

    Onde são publicados estes textos originalmente? No site do Top Gear, jornais, revistas?

  5. destuning? ele acha que inventou isso? uaehuah
    Ele ta falando basicamente de restauração de carros e se ele n sabe ja existe gente especializada nisso, mas obviamente o foco são carros bem mais antigos.

  6. Muito legal o artigo mas ainda acho que os modificados tem suas vantagens e desvantagens.

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