Hammond e homens que dirigem um Fiat 500

Participar de track days, independentemente do seu nível de habilidade, é tão emocionante quanto perseguir um tigre que roubou sua carteira, e nós do Top Gear somos muito sortudos por poder fazer isto. Algumas semanas atrás, fomos convidados por Bernie Ecclestone para andar no circuito de Mônaco; e mesmo para um tapado como eu, foi uma experiência impressionante. De novo, sendo garotos sortudos, nós já andamos em pistas de todo o mundo em coisas que vão desde humildes hatchbacks até carros de Fórmula 1 de verdade, e apesar de qualquer habilidade oculta que eu possa ter estar incrivelmente bem oculta e dificilmente dará as caras, posso dizer com absoluta certeza que a experiência de dirigir em qualquer circuito, em qualquer carro, é invariavelmente maravilhosa. Mas posso dizer que uma volta num circuito nunca pode conter a riqueza, a intensidade e a variedade de revelações multifacetadas que nos esperam numa ida às compras, numa manhã de Sábado.

Após pegar o Fiat 500C da minha esposa emprestado para fazer compras em Cheltenham com minhas duas filhas, eu segui direto para um violento ataque de bullying e molestamento de outros motoristas. Pessoas me incomodavam por trás, passavam com tudo pelo meu pequeno Fiat branco, me fizeram frear forte e fizeram me sentir como um garoto sofrendo bullying no playground. Um homem num Peugeot quase me jogou fora da estrada quando nos aproximamos da cidade. Acabei entrando numa área de serviço, querendo evitar uma colisão com minhas duas filhas a bordo e vi ele passar ao meu lado. Ele era gordo e suado e vestia uma camisa rosa-salmão de golfista com pouquíssimas fibras naturais nela. Ele provavelmente tinha um emprego respeitável. Alguém talvez até tenha se preparado para casar-se com ele, apesar da aparência e do volume e do suor. Quem sabe ele era engraçado ou algo assim. Mas ele tinha acabado de forçar outro homem com suas filhas pequenas a sair da estrada e esconder-se de seu ataque estúpido numa área de serviço. Joguei todo tipo de praga nele quando passou por mim; nenhuma virou realidade até agora, porque elas eram bem especiais e certamente o fariam aparecer nos noticiários, se elas tivessem virado realidade.

Chegando em casa, perguntei à minha esposa se ela também era incomodada e acossada regularmente no seu Fiat. Não, nem um pouco. Mindy passeia por aí no pequeno Fiat numa bolha serena de felicidade, sem causar uma única onda no lago automobilístico. “Mas você vive me contando como um caminhoneiro quase a jogou para fora da estrada ou um homem numa van deu-lhe uma fechada.” Sim, mas isso só acontece com a Range Rover. Acontece que isso nunca aconteceu quando ela dirigia o Fiat.

Relembrando o que aconteceu de manhã, eu procurei por uma pista. Os agressores eram todos homens. E eram homens de um tipo em particular: grandes, carecas, suados – bem homens, se você perceber. Eles dirigiam vans, ou BMWs ou Mercedes ou Astravans ou práticos Peugeots. Eu era outro homem, mas eu estava num pequeno Fiat branco com um teto de lona. E com duas garotinhas dentro. E aí, lembrei das outras vezes que dirigi pela mesmíssima rota até Cheltenham sem a mesma atenção indesejável vindo ao meu encontro. Sempre dirigia a Range Rover ou algum outro carro grande, esportivo e agressivo. Então, eis a resposta; os motoristas estavam reagindo ao conjunto da obra. Um homem dentro do que eles consideram ser um carro de homem: sem problema. Uma mulher dentro do que eles consideram ser um carro de mulher: tudo bem. Mas se virem um homem num carro de mulher, luzes acendem nas suas cabeças, e eles entram em ação como cães de guarda confusos. Se virem uma mulher no que eles, em suas maneiras vis, consideram ser um carro de homem, e suas cabecinhas ordenam que eles ataquem, porque eles não conseguem entender.

Imagem realmente é tudo lá fora, e o contrário vale também. Enquanto dirigia até a casa de um amigo, fui forçado a enfiar minha Range Rover num arbusto quando um Toyota Prius apareceu numa curva, vindo com tudo na direção contrária. Um homem que passou da meia-idade estava ao volante, cara toda carrancuda. Notei que isto está acontecendo com mais e mais donos de Prius. Talvez por estarem cientes que seu carro híbrido é visto por alguns como frágil, muitos donos de Prius estão dispostos a provar o contrário dirigindo com um grau de agressividade mais apropriado para comandantes de tanques. Então, isso quer dizer que agora, tendo me tornado mais cuidadoso por experiência, vou reagir a todo Toyota Prius que encontrar como se ele quisesse tentar arrancar minha cabeça?

Tendo tudo isto em mente, eu decidi que o teste de direção não é muito abrangente. Eu acho que deveriam deixar de lado todas as partes fáceis sobre como operar um carro, e oferecer um curso de quatro anos de Psicologia.

Fonte: Top Gear (20/09/2011)
Tradução: John Flaherty

Toda Quarta-Feira, traremos artigos escritos por Richard “Hamster” Hammond, falando sobre vários tópicos, quase todos sobre carros. Fiquem ligados.

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Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 21/09/11, em Hammond, Matérias traduzidas, News e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 17 Comentários.

  1. Particularmente, gosto muito do 500 e de todos esses pequenos carros atuais, como o Mini. Tenho preferência por hatchbacks e cupês de pequeno ou médio porte.
    Eu acho que aqui acontece algo meio contrário. Normalmente quando vejo um grande crossover ou uma picape maior, quase sempre é uma mulher no volante. Sempre que falo com amigas sobre alguma opinião de carros, sua resposta é algo direto e automático como: “Uma Dodge Ram” ou “aquelas Santa Fé…”

    Se for pra considerar carro de homem e de mulher, que se dividissem unicamente em Toyota Bandeirante e Citröen C3.

    • Rodrigo-ES

      Também gosto dos carros compactos, principalmente por serem mais “ágeis” e mais urbanos. Mas aqui, diferentemente de lá, o conflito entre a “masculinidade” ou “feminilidade” está mais para o como se dirige do que o que se dirige. As mulheres sem dúvida preferem carros grandes, por uma sensação de proteção ou talvés por acreditarem que serão mais respeitadas assim. Os homens já preferem veículos potentes, independente do seu tamanho, muito embora os proprietários de carros pequenos e potentes (leia-se Golf e Audi A3) sejam um tanto quanto “malas” – sempre se consideram prioritários para ocupar a via da esquerda e/ou ter a preferência em qualquer situação, mesmo quando “desfilam”. Particularmente, eu penso que o que mais irrita é aquele que empata o trânsito enquanto ficamos lendo em sua traseira “2.0” ou coisa do tipo, ou ainda pior, quando num 1.0 (Uno), alimentado por gas. Podium, ultrapassamos e depois o empata ofendido quer acelerar para mostrar que o dele também anda. Haja saco!

  2. Putz… Essa imagem me fará contar uma pequena estória:
    Há uns meses comprei dos hamsters muito pequenos, acreditando se tratar de dois machos.
    Logo batizei de Richard Hammond o marronzinho, e de J.C. o cinza. O tempo passou e decobri que eram duas fêmeas…. Hoje conhecidas por aí cimo Richarda Raimunda e Jurema Clarkson…

  3. Na Série 17 ele demonstrou que tinha gostado bastante do Fiat 500, se carro grande fosse pra homem todo mundo só dirigia caminhão

  4. só uma pergunta.. tava vendo episodios antigos e vi que as palavras sao escritas ao contrario
    é assim q eles escrevem la na inglaterra

  5. o coment de cima foi uma pergunta , foi mal esqueci do (?)

  6. Pedro Henrique

    Não havia lido esse texto ainda e escrevi quase que exatamente sobre isso essa semana e sobre como as pessoas não estão sendo bem preparadas hoje em dia para dirigir no caos urbano. Além de nossa prova psicotécnica ser uma vergonha o programa não prepara o motorista pra dirigir e sim para simplesmente operar uma maquina. Resultado: Violência no transito, desde total irresponsabilidade a casos de homicídios.

  7. Pedro Henrique

    Ah e eu teria um 500 sim aqui no brasil. Não vejo problema algum já que aqui estamos muito acostumados a andar com carros pequenos – e apertados.

  8. gosto de carros grandes e poderosos, dirigo um Dodge Charger R/T V8 aos finais de semana e um carro moderno grande durante da semana, mas recentemente dirigi um simpático FIAT 500 em interlagos e gostei bastante do carrinho. vejam no meu blog a minha opinião e video da aventura. abraços http://v8nfun.blogspot.com/2011/09/1000-visitas-qrx-fiat-500.html

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