Hammond gosta de músculos

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Devo admitir que existem ocasiões em que nossas tentativas em provar que algo é possível, barato, seguro, legal ou socialmente aceitável deixam Jezza, James e eu pisando em uma fina camada de gelo sobre um lado congelado. Quando tentamos afirmar, recentemente, que o melhor carro para um adolescente era uma perua Volvo com a janela traseira quebrada, por exemplo, dava para ouvir o gelo estalando sob nossas botas.

Mas uma afirmação que fizemos, baseados nos mais firmes fundamentos, tem a ver com o respeito ao meio ambiente que está em manter um objeto velho na ativa em vez de jogar fora e comprar um novo. Até o Partido Verde concorda que o impacto ambiental de extrair matéria-prima para um carro novo e então transportá-los de navio até uma fábrica faminta que queima enormes quantidades de energia para transformá-los, de fato, em um carro novo, é maior do que o necessário para simplesmente completar o óleo do seu Escort velho e aproveitá-lo por mais um ano. E nesses tempos políticamente corretos, o fato de ajudarmos os ouriços e gaivotas ao mesmo tempo que economizamos uma tonelada de dinheiro mantendo nossas velhas relíquias na estrada deveria ser tomado como um alívio.

E assim, foi com todo o meu amor ao planeta e todo o meu bom-senso e determinação que esse mês decidi focar minhas atenções em manter Mustang 390 GT 1968 rodando. Ele estava, devo confessar, ainda muito longe do abate, mas mesmo assim, meu salvador de esquilos precisaria e alguns cuidados especiais se seu V8 de 7,5 litros e 40 anos de idade fosse salvar mais alguns habitantes da floresta.

Estávamos em uma encruzilhada, eu e o Mustang. Seria uma tremenda afirmação de minhas credenciais verdes, mas também seria – totalmente incidental, claro – uma grande fonte de diversão ao volante, e era sempre muito prazeroso – e falo quase com uma preocupação quase paternal com o lagostim e com o suricate – entrar nele e pisar fundo em uma estrada que me levasse a qualquer reunião, filmagem ou festa que me tirasse de casa.

Mas ele está bem velho agora e, de vez em quando, as limitações provenientes de sua idade avançada e da parca tecnologia existente em sua época tem sido um desafio até mesmo para o mais valente dos cavaleiros verdes. Não tem rádio, o ar condicionado só serve para tossir uma nuvem de poeira marrom, o aquecedor vaza, não existe trava central, e embora ele tenha um diferencial de deslizamento limitado, não há controle de tração além daquele que a natureza colocou no meu pé direito. E este não funciona.

Então, movido por compaixão pela gazela tunisiana das dunas que está em risco de extinção devido à redução dos recursos de seu habitat, resolvi tomar providências para que meu herói pudesse continua praticando suas boas ações por mais alguns anos. Só o que eu precisava era algo para me motivar a usar esse carro antigo em um mundo moderno. O que eu precisava era de um belo rádio. Então eu levei meu carro para receber um.

O cara que fez o serviço foi bastante caprichoso. Ele colocou um aparelho que emula perfeitamente a aparência de um rádio da década de 1960, mas que possui navegação por satélite, controle por voz e entrada para iPod. De todas as modificações que fiz em carros ao longo dos anos, todas as trocas de motor, recalibragens de suspensão, funilaria, pintura, parte elétrica, trocas de chassi, essa foi a melhor e mais útil. Realizou uma transformação completa em todos os aspectos do desempenho do meu carro.

Conectei meu iPod e deixei que ele escolhesse o que tocar no modo shuffle. Ele escolheu Motörhead, Ace of Spades, e eu percebi imediatamente que o motor, antes um tanto rouco demais e embaraçoso de se dirigir pelo centro da cidade, havia sido domado – eu mal podia ouvi-lo. A próxima faixa veio, Low Rider do War, e eu percebi de repente que a suspensão do Mustang, que nunca foi um ponto forte de uma barca que rodava sobre molas inventadas há 200 anos, agora poderia encarar um Mercedes S-Class em termos de conforto e suavidade.

E, ainda melhor do que essas melhorias na engenharia, o rádio deu ao meu Mustang uma voz. Eu não acho que exista uma modificação melhor que possa ser feita em um carro antigo. E quando, depois de ter dado uma voz a seu carro velho, você descobre que os dois dividem o mesmo gosto musical, é um momento bem emocionante. O Mustang está de volta à ativa, seu poderoso V8 cantando duetos com Aretha Franklin enquanto rasgamos Herefordshire, eu estou feliz, e o golfinho-lacustre-chinês está a salvo. Todo mundo ganha.

Fonte: Top Gear (10/09/2009)
Tradução: Dalmo Hernandes (Jalopnik Brasil)
Revisão e postagem:
John Flaherty

Toda Quarta-Feira, traremos artigos escritos por Richard “Hamster” Hammond, falando sobre vários tópicos, quase todos sobre carros. Fiquem ligados.

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Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 10/11/11, em Hammond, Matérias traduzidas, News e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Vida boa…. queria ter essa preocupação do Hamster… =p

  2. muito bom,só duas coisas passaram despercebidas,
    a primeira, no 4° parágrafo,na terceira linha, a palavra sempre está sem o último E,a outra é no último,na terceira linha,está escrito meçhor em vez de MELHOR>

    o texto está muito bom,adoro mustangs,de todas as gerações.
    o texto está muito bom,parabéns à equipe do TGBR,continuem assim,pois fazem um ótimo trabalho!!!

  3. Marcelo Pacheco

    Muito bacana o texto. Tenho levantado esta discussão sempre que posso. E muitas pessoas que, num primeiro momento acham que estou brincando, acabam refletindo sobre esta questão do que é melhor em termos de sustentabilidade para o meio ambiente: trocar de carro a cada três anos para continuar conectado com as melhores tecnologias (?) ou usar o velho companheiro que está na garagem por mais um ano.

    Ah, o texto também me lembrou uma coisa que venho adiando a algum tempo: preciso arrumar o rádio do meu Maverick GT 1978…

  4. sem duvida o que el pensou esta correto, as montadoras fazer milhares de carros todos os dias, não precisava disso, só serve pra encher patios e ocupar lojas! Modernizar os carros velhos é uma coisa bem mais pratica, pra quem pode logico, hoje em dia ja existem injeç~so de todos os tipos, que com certeza diminuiriam em muito a emissão dos motores carburados, tem o c atalisador também…e quer conforto? ja exstem kits universais de direção hidraulica, ar condicionado e assim por diante!

    []s

  5. Um rádio faz uma bela diferença. Pode parecer comum, mas ouvir uma boa música enquanto dirige é acalmante.
    Ou excitante, dependendo do som e do dia… E do carro.
    Normalmente dirijo com o som desligado, por puro costume, mas acho que com um Stang eu continuaria mantendo desligado. Gosto de ouvir o que o trânsito tem a me dizer. O que as pessoas ao redor falam. Dá de se sentir mais integrado.

  6. mark kazumi

    eu tambem não costumo usar radio ao dirigir,ao menos em som alto,e tmb acho ridiculo som moderno em carro antigo…no meu chevelho,só o toca fitas bosh com adaptador para discman para dar voz do lemmy ao meu gerreiro com 600 mil rodados em quaze 20 anos na familia…vida longa ao meu chivas!

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