James May e o jeito Hindu de dirigir

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O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Eu acho esse antigo provérbio muito interessante, como isso deve significar que o motorista do táxi que me deixou tão aborrecido ontem é na verdade meu melhor amigo. Ele odiava motociclistas, no entanto, e eu sou um às vezes. Entretanto, motociclistas odeiam motoristas, e motoristas de ônibus odeiam motoristas de táxi, e ciclistas odeiam todos os outros, mas isso é recíproco – vamos ser honestos. Pedestres odeiam carros, e todos odeiam aquelas bicicletas-riquixás, e motoristas de vans odeiam pedestres. Mas motoristas de vans são odiados pelos próprios caminhoneiros, e eles podem sentir o ódio louco de um olhar de um piloto de scooter, mesmo através de 10 toneladas de torta da Tesco na caçamba do caminhão. O sectarismo de usuários de rodovias está começando a me chatear. Todos nós estamos tentando fazer basicamente a mesma coisa – chegar a algum lugar – e todos nós temos algo em comum, inimigos muito mais perigosos do que minivans pequenas guiadas por um motorista distraído: aqueles que fogem da responsabilidade de manter a superfície das rodovias, grampos de rodas, câmeras de estacionamento móveis, os ministros que realizam experiências com vias pedagiadas. Vocês sabem quem eles são. Essas são as verdadeirad forças da escuridão, e eles nos dominam de mansinho enquanto brigamos inutilmente. Eles estão em nosso meio, e um dia eles virão até você e não terá ninguém para ajudá-lo, porque você não ajudou ninguém.

Eu estou começando a imaginar se rodovias não são um modelo de sociedade como um todo. As demandas de seus usuários são imensamente variadas; a infraestrutura e seus sistemas são inadequados. Mas se nós pudéssemos conviver nas rodovias com um espírito de tolerância e bondade, então nós podemos administrar nossas diferenças em todos os lugares, e o grande ofício de dirigir terá mostrado como acabar com as guerras, a fome e a peste. Isso me traz a Índia.
 
Agora não é mais segredo que nós acabamos de estar lá para filmar nosso especial de Natal, e o que nós mais temíamos sobre a índia não era a vingança de Gandhi, mas o jeito de dirigir indiano, que, sejamos francos, tem uma reputação de ser meio “estilo livre”. Mas eu estou feliz em reportar a vocês que o jeito de dirigir indiano é, como eles devem dizer, excelentíssimo.

Vamos voltar por um momento ao meu muito debatido e largamente mal-compreendido conceito de “direção Cristã”. Na minha investigação original, eu descobri que dirigir como um completo estúpido não parecia levar-me a lugar algum nem um pouco mais rápido do que dirigir tranquilamente.

Então: sempre dê passagem a outro motorista, sempre deixe espaço para alguém trocar de pista. Jeremy agora irá dizer que isso vai deixar você para trás e atrasar seu tempo de viagem. Mas não se todos fizerem isto, porque passagem a você, na sua vez, em algum outro lugar.

A velocidade média do tráfego nas nossas cidades grandes está geralmente entre 12,8 km/h e 17,6 km/h. Mas nós devemos ponderar as médias – isso provavelmente significa picos esporádicos de até 64 km/h e uma eternidade parados. Nas regras da “direção Cristã”, eu calculo que a velocidade seria bem baixa – digamos 32 km/h na cidade – mas constante. Mas como conduzir o experimento?

Acontece que isto tem ocorrido há anos na Índia, onde eles praticam o que podemos chamar de “direção Hindu”. Pode haver também elementos de direção muçulmana, sikh, jain, budista, cristã, e zoroastrista, mas não vamos ficar presos em quem adora o quê. Isso parece funcionar.

As regras são essas: o veículo à frente tem o direito de passagem, e é sua responsabilidade alertar sua presença com a buzina. “À frente” pode significar que o carro ao lado está somente a alguns centímetros perto de um ponto nominal distante do ponto que o seu está, mas aquilo significa que você tem que deixá-lo entrar, se ele quiser ir a sua frente.

A coisa mais surpreendente é que não importa o quão otimista é a sua manobra para trocar de pista, eles deixarão você entrar. Afinal de contas, na realidade ninguém quer bater, e enquanto nós apertaríamos a buzina e apreciaríamos um momento de indignação, o caminhoneiro indiano simplesmente deixa passar. Deixarão ele entrar logo, também. Na verdade, esse sistema deve ter sido forçado aos motoristas desta grande nação. A maioria da rede rodoviária é amplamente subdesenvolvida, e não é sempre claro o lado da via onde você deve dirigir. Para aqueles de nós mimados por um reconfortante sistema de regras e convenções, parece maluquice. Mas desprovidos de qualquer orientação artificial, a bondade humana e o senso comum fazem um ótimo fluxo de tráfego.

É exatamente como Werner von Braun, o grande cientista de foguetes, disse – o computador humano é o melhor computador do mundo, e o único que pode ser produzido em massa por uma mão-de-obra totalmente sem qualificação.

Fonte: Top Gear Magazine Awards 2011
Tradução: Fabrizio Allora Roweder

Toda Terça-Feira, traremos artigos escritos por James May, falando sobre vários tópicos, quase todos sobre carros. Fiquem ligados.

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Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 12/12/11, em James May, Matérias traduzidas, News e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Luccas mateus

    pessoal to site bem que vocês podiam legendar um episodio no qual eles fazem uma corrida em londres onde o stig se não me engano pega o transporte publico, richard vai de bicicleta, may se não me engano vai de carro, e o jeremy usa um barco.

    • John Flaherty

      Estaremos disponibilizando as temporadas completas, primeiro. Estamos começando pelas últimas, pois têm legendas em inglês, o que agiliza nosso trabalho.

  2. meu pai dirige assim, ele era malucão, tirava fi toda hora, agora ele dirige de boa, deixa os outros passarem quando “pedem” e etc….

    aprendi com ele hehe mais tbm não pode ser folgado e enfiar o carro na frente porque ai não passa mesmo!

    []s

  3. eu sei que aki nao eh o lugar certo pra isso mas podiam add o episodio em que tem um desafio que o jeremy vai com a 612 scaglietti, outro que eu nao cheguei a ver mas ja ouvi dizer, que o jeremy vai com a SLR e outro que o jeremy vai com o veyron. se add um desses ja vou estar feliz!

    • Com o Veyron, é contra o avião, da SLR é contra um barco [um navio, diga-se de passagem] e da Scag… Não lembro mas eles terminam em um chalé nas montanhas.

  4. As pessoas que acham que na Índia é um inferno no trânsito – com toda certeza – não dirigiram no Ceará!

  5. Pfreire, eu ja assisti o da 612 esdo veyron contra um cessna que tem que levar um trufa acho que pra italia, mas faz mto tempo que nao assisto e nao acho em nenhum lugar. e da SLR eu so ouvir falar, mas nunca vi.

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