Jeremy Clarkson e a violência

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Você deve ter ouvido falar de um jogador de futebol chamado Joey Barton. Fora dos gramados, ele é um cara um tanto brigão, e, recentemente, passou um tempo preso por agressão. Ele também foi condenado por agressão que resultou em lesões corporais. E uma vez ele atropelou um homem às 2 da manhã em Liverpool.

Você deve imaginar que, nos gramados, as coisas seriam diferentes. Mas não. Ele foi expulso por socar um adversário no peito, e então, no último jogo da excitante liga Premiership deste ano, ele deu uma olhada na garganta exposta de um adversário e claramente pensou: “Acho que as coisas seriam melhores se eu desse uma cotovelada ali”. E ele fez isso.

Ele recebeu um cartão vermelho do juiz, e ele reagiu a isto chutando outro adversário e tentando dar uma cabeçada em outro. Como resultado, ele foi rotulado como um “bad boy” pela maioria dos fãs de futebol. Mas não sei, não.

Eu geralmente não agrido ninguém, a não ser que seja Piers Morgan. Nunca briguei durante todos os meus anos na escola, e mesmo quando alguns meninos de Doncaster colocavam cocô de cachorro no meu boné porque eu usava um cachecol do Chelsea, eu permanecia calmo e educado. Embora um tanto choroso.

No entanto, enquanto não posso socar o peito do James e do Richard, eu entendo porquê tipos como o sr. Barton sentem a necessidade de agredir seus colegas e rivais.

Isto foi explicado muito bem pelo parlamentar trabalhista Eric Joyce, que, no começo deste ano, tomou algumas no bar da Câmara dos Comuns, viu dois conservadores e os agrediu.

Ele diz que é assim que ele é. Algumas pessoas resolvem suas diferenças com uma caneta, outras com uma medida legal. Ele usa seus punhos e acha que se dois caras querem resolver uma discussão atrás de um pub, isso é problema deles. Ele está certo. É problema deles.

Além disso, é vital que tenhamos todo tipo de pessoas no Parlamento, para que todos da sociedade estejam representados: almofadinhas, vagabundos, trapaceiros, mentirosos, vigários e brigões de bar. Pois como você pode representar o povo se você não é um deles?

De fato, vou ir mais longe. Às vezes, nós vemos parlamentos de outros países reduzidos à uma massa de socos e suor, e penso que, de vez em quando, gostaria de ver o mesmo tipo de coisa no nosso parlamento. Então, digo isto ao sr. Cameron: da próxima vez que o sr. Miliband estiver irritando, pule por sobre a mesa e chute a virilha dele bem forte.

Eu gostaria de ver este tipo de ação em Wimbledon também. Você suou a vida toda. Você treinou e treinou, não bebeu, não fumou, e sacrificou-se para evitar tudo de bom que a vida pode oferecer para ser o melhor do melhor do melhor. É match point. O saque foi para fora. Mas o juiz de linha, um professor de Geografia idoso usando um chapéu bobo disse que foi dentro.

A sua vida inteira foi jogada fora. Alguém poderia culpá-lo, no calor do momento, por correr até o juiz e acertar uma raquetada nele?

Lembra do Nelson Piquet chutando e socando o inútil do Eliseo Salazar? Lembra do Michael Schumacher correndo pelos boxes para “discutir” algumas coisas com David Coulthard? Nós compreendemos. E mais do que isto: nós gostamos disto.

Há momentos que saboreamos e valorizamos. Na América, quem vai ver um jogo de hóquei no gelo não quer testemunhar a agilidade e a precisão, mas sim as brigas. E na Grã-Bretanha, os fãs de rugby adoram quando dois camisas 8 começam a descer o cacete um no outro. Especialmente quando o resto dos times participam.

O problema é que hoje estamos programados para permanecermos calmos. Para dar a outra face. Se sou eu, isso não é problema. Eu não gostaria de ser socado. Mas no esporte e na política, onde as emoções estão – e claro que deveriam estar – alteradas como uma tempestade de Verão equatorial, é cruel respirar fundo e ignorar. Talvez seja por isso que tantas estrelas do esporte e políticos de hoje em dia sejam tão robóticos e entediantes.

Tudo isso me leva para uma foto que estava nos jornais recentemente. Era de um senhor de meia-idade tentando andar de bicicleta por uma estrada do interior enquanto era chutado por uma jovem. Aparentemente, ele estava andando devagar demais pelo meio da via, e a mulher decidiu ensinar-lhe uma lição.

Todos compartilharam da opinião que a mulher era um perigo e deveria ser presa pelo resto da eternidade. Afinal, enquanto pode ser justificável perder o controle no calor do momento durante um evento esportivo, agir desse jeito numa via pública não é justificável de maneira nenhuma.

Entretanto, antes que prendamos a mulher, vamos fazer uma pergunta: e se ela recebeu a notícia de que sua mãe foi levada ao hospital e não tinha muito tempo de vida? E se, enquanto estava presa atrás do ciclista, enfurecida pelo seu progresso lento, ela tenha recebido a notícia de que sua querida e velha mãe havia acabado de morrer? Será que, aí seria aceitável chutar o homem que a impediu de dar-lhe um último adeus?

Muitas vezes, eu fico preso atrás de alguém que está andando na A44 a uma velocidade que ela acha ser segura. Essas pessoas quase sempre são idosas. Suas reações são lentas, e não têm a confiança para andar a mais que 50 km/h. Além disso, elas não estão com pressa e acham que o mundo seria um lugar bem melhor se os outros também não tivessem pressa. Então, elas não sentem-se culpadas pela longa fila de metal superaquecendo atrás delas. Secretamente, elas devem até sentirem-se poderosas.

Na maioria das vezes, eu tolero isso. Se eu puder ultrapassar, eu ultrapassarei, e se eu não puder, eu vou ouvir uma bela música e relaxar. Mas e se eu fosse do esquadrão anti-bombas e tivesse pouco tempo para chegar à uma bomba nuclear terrorista? E se minha esposa tivesse entrado em trabalho de parto? E se uma criança precisasse de seu pai? Então, a situação complica-se, e a raiva cresce, e nada mais humano do que jogar o casal de idosos e seu odioso Peugeot numa moita.

Ciclistas perdem a calma o tempo todo, e não os culpo, na maioria das vezes. Pois quando um motorista de ônibus, movido por estupidez e arrogância, vira à esquerda sem avisar e você é quase morto pelas rodas traseiras do veículo, você vira um saco cheio de dopamina, serotonina e adrenalina. Você fica tão louco quanto um coelho assustado. E, neste instante, você não pode ser considerado culpado se você entrar no ônibus, abaixar o zíper e aliviar-se sobre o motorista.

Então, aí está. Violência. Eu odeio. Eu tenho medo dela. Queria que o punho humano fosse feito de paina. Mas às vezes? Hmmm.

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 17/07/12, em Jeremy Clarkson, TopGear.com e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. André Galão

    Ponto de vista interessantíssimo. Obrigado pelo post.

  2. Liberte-se. Seja paciente. Seja violento. Agrida, peça desculpas. Viva. Seja humano.

  3. Bruno Zen Zortéa

    na foto eu vi q ele tem um ford gt eu ja sabia disso mas ele é azul escuro com faixas brancas

    • germaniobr

      E tem mais, na nona temporada, no episódio 04 acho, ele diz que vendeu o ford GT pra comprar uma gallardo spyder😛

  4. Belíssimo texto, reflete a verdade, as vezes reclamamos sem saber o motivo da pressa alheia, eu sou tranquilo no transito de Recife, sempre saio cedo de casa e com consciência sempre uso a faixa lenta, mais as vezes ocorre um acidente na BR e você fica horas ali parado, quando o transito libera e você tem uma prova na faculdade começando, você vira o Senna, corta luz e buzina inutilmente para alguém que vai na sua frente e que se acha importante de mais para ir para a faixa de direita, a faixa lenta, ai sempre mim pergunto se eu ando lá, porque ele não pode?😦

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