Teste: BMW M6 Cabrio

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Texto: Jason Barlow

Como você prefere os seus carros M? O M3 4-cilindros original e agora altamente desejado definiu tudo: bruto mas penetrantemente comunicativo. Vários M5 ao longo dos anos mudaram a receita M para um modo furtivamente sedutor. Da linhagem atual, o M3 GTS de 2010 chegou bem perto de ser o melhor de todos os tempos, junto com o igualmente “velha-guarda” cupê 1M.

O novo e charmoso M6 conversível é uma proposta totalmente diferente, e um tanto confuso. Admito que não é confuso em teoria, pois os números são irresistíveis. A BMW diz que ele é “mais potente, mais ágil, mais focado, mais luxuoso e mais eficiente” agora, sendo que algumas dessas coisas soam um tanto contraditórias para mim. Como todos os carros devem ser hoje, ele realmente entrega mais de tudo enquanto consome menos recursos naturais e emite menos gases tóxicos (ele fará estimados 9.66 km/L e solta 239 g/km de CO2). Bom saber disso, mas provavelmente não será algo importante para possíveis interessados que veem o tsunami do capitalismo global como uma mera marolinha.

É um belo carro, com ou sem teto, especialmente com a atual gama de cores da BMW. A parte mais importante, no entanto, é o motor. Este é o mesmo 4.4 V8 biturbo que já nos impressionou no M5 mais recente. A potência máxima é de 560 cavalos entre 5.750 e 7.000 RPM, mas melhor que isso são os 69.4 mkgf de torque que ele produz das entranhas do inferno a apenas 1.500 RPM, e que mantém-se consistente até 5.750 RPM. Ele tem muita força, que é entregue de tal maneira que o torna quase 3 vezes mais dócil que o surpreendentemente forte e estranhamente irritante motor V10 do antigo M5.

Ele também tem uma construção inteligente, com um coletor de escape “8-para-4” (8 canos que viram 4), turbos “twin-scroll” (resposta do acelerador mais precisas, menos lag), injeção direta,

e comando de válvulas Valvetronic e duplo Vanos. Apesar dele ter 10% mais potência e 30% mais torque do que antes, o consumo de combustível foi reduzido em 23%. O 0 a 100 km/h leva 4.3 segundos, e a velocidade máxima limitada a 250 km/h chega não muito tempo depois.

Acredite se quiser, essa é a parte mais fácil de entender. Para realmente entender o M6 além disto seria um desafio até mesmo para Bill Gates. Isso por causa do mundo de possibilidades que os modernos chassis com sistemas eletrônicos abrem para nós, um mundo que os engenheiros da BMW decidiram explorar com o entusiasmo de Marco Polo. Primeiro tem um novo multi-diferencial eletrônico cuja unidade de controle está dialogando constantemente com o controle de estabilidade DSC, e também cruza dados vindos da posição do pedal do acelereador, da velocidade rotacional das rodas, e do ângulo da direção. Em uma fração de segundo, o diferencial pode ficar totalmente “solto” ou inteiramente “travado”.

Tem mais. A direção hidráulica, a suspensão, a transmissão, a resposta do acelerador e o controle de tração podem ser configurados de acordo com o gosto do usuário, totalizando quase 500 combinações diferentes. O motorista então pode gravar um ajuste “me-leve-para-casa-na-chuva” e um ajuste “me-leve-para-uma-rotatória-próxima-para-queimar-pneus” nos dois botões M no volante. Há modos Comfort, Sport, Sport Plus e M Dynamic Mode (MDM). Tudo isso cria um carro com mais chips que uma loja oficial de uma operadora de celular.

Mas, como qualquer um familiar com o serviço de streaming de músicas Spotify atestará, ter muitas opções nem sempre é algo bom. Essa overdose de silicone manifesta-se na estrada, onde a verdadeira identidade do M6 conversível sofre para se impor. Fundamentalmente, ele é equilibrado. O seu chassi é inacreditavelmente rígido, e é lindamente confortável. São duas coisas que você não deveria menosprezar mesmo em um BMW conversível de 2012. Ele também é estonteantemente rápido, os freios são excelentes e a transmissão DSG de 7 marchas é super suave em modo automático, mas igualmente competente se quiser bancar o piloto.

Não há perda de aderência mesmo com toda essa potência e torque tentando arrancar lascas do asfalto, e se você entrar numa curva fechada com um certo exagero, a eletrônica interfere com tamanho entusiasmo que só mesmo o menor músculo nas suas nádegas terá uma leve suspeita que a parte máquina do conjunto homem-máquina acabou de salvar sua pele. Soa extremamente impressionante, não?

O problema é bem familiar, aquele que nenhum gênio pode resolver: caráter. Falando objetivamente, rivais como o Maserati GranCabrio e o Aston Martin Vantage roadster nem chegam perto do M6 conversível em termos de “habilidades”, mas ambos contém um nível cativante de erotismo que o analítico BMW simplesmente não tem. O mais recente Porsche 911 consegue ser eficiente e excitante, enquanto o Jaguar XKR-S é insanamente rápido e duas vezes mais excitante.

Finalmente, tem o pequeno problema do preço do M6. Custando pouco menos de £99 mil (R$316 mil), este é um carro bem caro. Também é uma obra-prima da engenharia automotiva moderna. Mas, devido a um monte de razões ridículas, isso não quer dizer que ele também seja o melhor carro.

OS NÚMEROS:
4.398 cm³
V8
Tração traseira
560 cavalos
69,4 mkgf
9,66 km/L
239 g/km de CO2
0 a 100 km/h: 4.3 segundos
250 km/h
1.930 kg

O VEREDITO:
Falando objetiva e tecnicamente, o novo M6 Cabrio da BMW é simplesmente deslumbrante. Mas não chega a ser excitante.

A NOTA:
07/10

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 29/07/12, em Matérias traduzidas, News, TopGear.com e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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