Richard Hammond e o Fisker Karma

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Não é sempre que sinto inveja do James May. Não invejo suas roupas, seu cabelo é ridículo e quem liga se ele é bom no jogo de dardos? Mas ele é. Ele joga muito bem. E ele tem uma Ferrari. E mais seguidores que eu no Twitter. E eu queria saber tocar piano. Certo, ÀS VEZES sinto inveja do James May, mas o que realmente acendeu as chamas verdes da inveja no meu ser, foi quando ele foi testar o Fisker Karma.

O Karma, se você esqueceu, é um híbrido, mas ao invés de ter dois motores movendo as rodas dependendo de quanta energia tiver nas baterias ou se é preciso de uma força extra do motor a combustão, as rodas são movidas exclusivamente pelo motor elétrico, enquanto o motor a combustão é usado para carregar as baterias quando elas ficarem vazias.

Mas o que me fez ficar de mau humor quando soube que o James estava testando-o, é que ele é “cool”. Ele faz todas essas coisas ecológicas, ele pode vir com um interior que não utiliza nenhum couro animal, e usa apenas madeira que morreu de causas naturais (não é piada), mas que, ao mesmo tempo, é bonita. Muito bonita. Bonita o bastante para tornar todo o resto irrelevante por um momento.

E isso o torna único. Você pode reclamar o quanto quiser sobre pessoas que acreditam que os motores a combustão estão criando um buraco no céu feito uma vela debaixo de uma folha de papel, mas o fato é que o petróleo vai acabar algum dia, então é melhor termos alguma outra coisa debaixo de nossas mangas.

Então, eu pergunto: por que todas as respostas para esta questão extremamente complicada são tão enfadonhas? Toda semana, nos mostram alguma coisa que será a próxima grande esperança da nossa era, e toda semana essa coisa é tão atraente e excitante quanto uma geladeira. Por quê? É apenas outra proposta lúgubre de algum cara em um terno falando sobre infraestrutura, network e caronas-amigas.

Tive o privilégio de ver a vasta coleção de carros do apresentador americano Jay Leno neste Verão. Ela literalmente tem de tudo, desde carros movidos a vapor da virada do Século XX à bólidos vencedores com uma história longa o bastante para justificar um livro sobre cada carro. Cada um é, de sua própria maneira, uma obra-prima, e cada um foi criado por um tipo peculiar de genialidade. No alvorecer do carro, e por mais umas décadas depois, o mundo queria mobilidade e glamour. E estes caras apareceram e entregaram as duas coisas. Por que isso não pode acontecer agora?

O mundo quer carros adequados à um conjunto específico de critérios, então por que eles não podem ser satisfeitos em um carro tão excitante quanto à visão de um Stutz Bearcat entrando numa garagem, ou mesmo um carro-a-vapor Doble quando ele apareceu em 1923? Claro que as recompensas existem; nós ainda precisaremos nos deslocar por aí por mais algum tempo, bem depois de termos sugado todo o petróleo da Terra, e ela ficar como uma caixinha de suco amassada. Quem criar um carro genuinamente viável, confiável, que não utiliza combustíveis fósseis e com muita autonomia e potência ficará incrivelmente e eternamente rico. Então, onde estão os carros dos sonhos para isso?

As obras-primas da coleção do Leno têm uma coisa em comum: elas são o produto da paixão, não de um plano de negócios. Os caras que as criaram sonhavam em criar uma coisa fantástica; eles criaram os carros que eles queriam ver andando por aí, sendo dirigidos heroicamente por pilotos ou aparecendo na frente de hotéis incrivelmente glamourosos ou andando por toda avenida principal do país, ajudando as pessoas a viverem suas vidas.

Quando nós juntamos nossas forças para ressuscitar o Top Gear há 10 anos, não havia nenhum plano de negócios, nenhuma objetividade cínica guiando nossos raciocínios. Ele acabou virando essa coisa gigantesca devido à sorte ou porque apareceu no momento certo ou, bem, sei lá porquê. Nós ainda fazemos a mesma coisa – tentar fazer o melhor show que pudermos. Se tivéssemos partido de um plano de negócios para criar um programa automotivo visto ao redor do mundo por homens, mulheres e crianças, então só Deus sabe que tipo de monstro insípido e homogêneo nós acabaríamos criando.

Em algum lugar existe uma criança que sonhará com uma máquina cintilante, bonita e excitante com muita potência e visual de uma estrela pornô, e esta máquina transportará pessoas bonitas para lugares maravilhosos onde elas serão admiradas e adoradas simplesmente por terem saído dela. E essa máquina será aquela que nos lembrará que, embora nós apenas precisamos de um aparelho de cozinha que se move para ir ao trabalho e de volta ou para deixar as crianças na escola, ele pode ser algo muito melhor. O carro multiuso movido a iogurte pode esperar. Primeiro, que venha o enorme, sexy, potente, excitante e insano monstro movido a iogurte. O lúgubre virá depois… É sempre assim. Por hora, esqueça o plano de negócios, e alimente sua paixão.

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 26/11/12, em Hammond, Matérias traduzidas, News, TopGear.com e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Mais uma vez um excelente artigo! Anos luz da ‘imprensa’ brasileira.

  2. Amigos, dois comentários:
    1. Poderiam citar também a data da publicação original;
    2. Há um pequeno erro no último parágrafo em: “insano *mosntro (*monstro) movido a iogurte”.
    Abraços e parabéns pelo trabalho!

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