Top Gear pega uma carona no Tumbler

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Mais uma vez, parece que tirei o palitinho pequeno na redação. Ou isso, ou o meu chefe parece ter algo contra meus testículos. Minhas partes baixas foram novamente presas num cinto e banco de competição tão estreitos que estou começando a perder os sentidos.

Mas desta vez eu não me importo muito, porque desta vez, queridos amigos da internet, eu estou no Batmóvel. Não naquele Batmóvel dos anos 1960, mas em algo que TECNICAMENTE é um Batmóvel.

Deixe-me explicar primeiro. Para os azarados que não puderam ver O Cavaleiro das Trevas Ressurge nos cinemas, tenho boas notícias. O DVD acabou de ser lançado. E como o filme é realmente brilhante, nós queríamos dar uma volta no carro vinculado do Batman. Exceto que, obviamente, no filme (ALERTA DE SPOILER), a coleção particular de Batmóveis – ou “Tumblers” – de Bruce Wayne foi surrupiada por uma montanha de músculos chamado Bane. Bane não é um cara legal.

Então eu estou preso no que realmente “pertencia” ao sr. Wayne – no filme, obviamente. E é um equipamento e tanto, feito por alguém com anos de experiência em explodir coisas na frente das câmeras. Nós também estamos apropriadamente bem no meio da pista de testes do Top Gear – outro coliseu de fogo e destruição – ao lando deste homem. Apresente-se, maestro dos efeitos especiais e ganhador do Oscar, Chris Corbould.

“Eu trabalhei em vários filmes do James Bond”, ele me diz, em um jeito indiferente, “então, quando nós começamos a trabalhar em Batman Begins, eu tinha uma boa idéia sobre como seria o novo Batmóvel”.

Obviamente, você sabe o que o Chris quis dizer com o “nós” – ele referia-se ao diretor e autor nomeado ao Oscar, Christopher Nolan. “Quando começamos, Chris [Nolan] estava disposto a fazer algumas concessões”, Corbould me conta, “mas por outro lado, ele não é um diretor que gosta de fazer isso. Ele é bem específico sobre o que ele quer ver. Então eu juntei meu time e disse: ‘olha, nós temos apenas uma chance, e quero que este seja o Batmóvel definitivo'”.

Esta coisa é um monstro. Parece que ele devorou os Batmóveis aerodinâmicos dos anos 1990 e simplesmente passou por cima do ícone dos anos 1960. Ele também é pesado; ele pesa 2.5 toneladas. “A maior parte dele é feita de aço”, Corbould diz, “mas as chapas da carroceria são uma mistura de fibra de carbono e de vidro. Mesmo assim, ele é enorme e, com exceção do motor e do câmbio, tudo foi feito do zero”.

Sim, o motor. É apenas um Chevy V8 5.7, com muitos cavalos e um dos melhores sons de escapamento que já fizeram a espinha de um homem tremer. “Ele tem um motor 350: bloco padrão, 400 cavalos, muito confiável. Ele também produz esse ótimo som, que acho que é uma das grandes marcas do Batmóvel”. É um belo som, com certeza: um teste inicial do Tumbler na pista de Dunsfold envolveu ligá-lo e verificar se haviam vazamentos. Provavelmente daria para ouvir esse motor da França.

Dito isso, ele provavelmente poderia PULAR até a França. Quem já viu Batman Begins lembrará daquela clássica frase dita por um pobre policial que eprseguia o Batmóvel: “Ele está voando pelos telhados!”

Chris sorri enquanto ele relata o processo para tornar o peso-pesado Tumbler em um atleta desafiador da gravidade. “Desde a primeira vez que vimos o pequeno modelo de plástico que o Nolan nos mostrou, provavelmente levamos cerca de 5 meses para produzir todos os cinco Tumblers antes das filmagens do Batman Begins começarem. E passamos a maior parte desse tempo apenas fazendo-o dar saltos”.

Nolan, na verdade, deu ao pessoal dos efeitos especiais um baita desafio quando ele disse que queria fazê-lo voar. “Estávamos numa missão para mostrar ao Chris o que nós podíamos fazer”, Corbould diz. “Nós o fizemos saltar, vimos os pontos fracos, reforçamo-os um pouco, fizemos ele saltar de novo, vimos os pontos fracos, etc.. Fizemos tudo isso, e quando chegamos para gravar uma cena de Batman Begins, ele podia saltar até quase 22 metros, aterrissar intacto e seguir em frente. Acho que realizamos mais de 20 saltos – ele quebrou nos primeiros 10 saltos”.

Bom, ele não “quebrou” exatamente: algumas partes estruturais claramente “sofreram um pouco”. Por isso que os pneus do tamanho de planetas estão lá. Se você acha que eles parecem grandes no filme, pode ter certeza que eles parecem realmente ENORMES quando vistos em pessoa. “Um dos pneus traseiros provavelmente pesa uns 90 kg”, Corbould me conta, “e há quatro deles, então já são 360 kg. De fato, um dos maiores problemas que tivemos foi achar quem tinha esses pneus”.

Eventualmente, Corbould e sua competente equipe de ratos da internet acharam pneus dianteiros Hoosier de 20 polegadas, e os enormes pneus traseiros, instalaram-os numa maquete e apresentaram a coisa ao Nolan para ele inspecioná-lo. “Ele sorriu, mas disse que teriam que ser maiores em 4 polegadas”. Corbould Xinga. E ri. “Nós eventualmente achamos os pneus certos, e tivemos que fazer três versões diferentes, que chamamos de ‘full fat’, ‘half fat’ e ‘skinny'”.

Está confuso? Eles se referem à profundidade dos sulcos da banda de rodagem de cada pneu, ao invés de um menu de uma cafeteria. “Se você precisar de uma cena onde ele derrapa por uma curva, escolha o pneu ‘skinny’ – que tem sulcos menos profundos – para deixar a traseira mais solta”. Ah, derrapadas. Algo com o qual estamos familiarizados…

E os pilotos dublês – George Cottle, em especial – eram constantemente motivados a não terem dó do Tumbler. “Não queríamos que tratassem o Tumbler como um vaso frágil, do contrário o filme seria comprometido. Queríamos que eles pisassem fundo, atravessassem paredes, acertar meio-fios, etc.. Isso foi assustador para o George. Ele teve uma parcela enorme no sucesso do Tumbler porque ele estava presente durante todo o desenvolvimento. Ele mal podia ver de dentro do Tumbler – o nariz dele estava encostado no vidro na maior parte do tempo”.

Eu sei como ele se sentiu. Porque agora estou dentro do Tumbler, na fria pista de testes de Dunsfold, esperando por um passeio insano, e ele é um tanto… industrial. Tem um tanque de combustível ao meu lado, canos e cabos e chapas de aço por todo lado, a janela do meu lado do Tumbler é praticamente um orifício, e as câmeras nas laterais não estão ligadas.

Finalmente, o piloto liga o motor – mas não antes de passar-me um par de protetores auriculares. “Cuidado, aqui dentro é um pouco barulhento”. O Chevy V8 liga, e meus ouvidos são massacrados sem dó. Deus, como é barulhento. Nós partimos, e a primeira coisa que fica imediatamente claro é como o veículo é sereno numa pista de testes plana e sem buracos. As nádegas do Batman devem ter sido bem mimadas por esse enormes pneus. A maciez lembra muito a de um Jaguar XJ, exceto que o Jag não tem foguetes ou armas de fogo instalados.

Não consigo ouvir nada que o piloto me diz sobre a sensação que é dirigi-lo, mas posso vê-lo lutando com o volante toda vez que o Tumbler pensa em fazer uma curva. Veja a foto logo abaixo. Isso, queridos leitores, é a verdadeira definição de “rolagem de carroceria”. Mas ele foi feito para atacar um batalhão de vilões armados, não a Hammerhead. O piloto tem que corrigir o traçado em uma curva. Acho que instalaram os pneus “skinny” hoje.

Ainda assim, como não há visibilidade alguma, e essa coisa acelera rápido, e ele inclina feito um hipopótamo nervoso, e esses pneus são incrivelmente macios, eu acabo me sentindo um tanto nauseado. Só Deus sabe como o Batman encontrou tempo para dirigir esta coisa enquanto explodia vilões armados e “achatava viaturas”. Hora para uma pausa. Corbould sorri enquanto ele relata o que acontece quando senta-se a bota no Tumbler.

“Tínhamos um braço de suporte de câmera bem avançada montada em cima de uma Mercedes-Benz ML55 AMG”, Corbould relata, “e eles sofreram para acompanhar o Batmóvel no set de Batman Begins. Estávamos muito orgulhosos disso”. E não à toa. Essa ML55 tem um V8 5.5 que produz mais de 350 cavalos.

“Uma ML sobrealimentada foi usada para O Cavaleiro das Trevas Ressurge. E nós pensamos: ‘pode vir’…”

Texto: Vijay Pattni

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Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 01/12/12, em Matérias traduzidas, News, TopGear.com e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Quando ele se transformar no BatPod eu bato palmas.

  2. germaniobr

    Putz, quem não queria dirigir essa coisa?

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