Mercedes Classe S: eu sou o seu pai

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A Mercedes claramente tem um jovem mediúnico dentro das suas instalações de Stuttgart, porque ela não apenas constrói carros, ela constrói o futuro.

Você saberá disto porque cada novo Mercedes Classe S antecipa a tecnologia que você poderá ter na sua torradeira em 2025. Quer que seu pão fique bem tostado e tenha crostas com três níveis de vibração para massagear seus lábios enquanto mastiga? Fique de olho no próximo Classe S.

Mas o interessante não é ver para onde a Mercedes está indo, mas por onde ela passou. Porque nós encontramos uma foto do Mercedes luxuoso e top-de-linha original que gerou a família Classe S bem no começo do século – e francamente, você nunca notaria o parentesco.

E é aquele enorme ônibus vermelho da foto acima. Aquilo, senhoras e senhores, é o Mercedes Simplex 60PS, e foi lançado em 1903. Ele era um “sedã” de passeio, pelo jeito, e era do Emil Jellinek. Não se esqueça que Jellinek teve um papel importante na história da Merc – o nome da marca também era o nome de sua filha.

Ele foi muito bem recebido no mercado europeu, e até provou que tinha talento nas pistas de corrida. Veja, por exemplo, a copa Gordon Bennett que aconteceu na Irlanda, em 1903; competidores americanos e ingleses aparentemente passaram semanas treinando na pista e conheciam cada detalhe dela. A Mercedes simplesmente entrou no Simplex, dirigiu desde a fábrica na Alemanha até a França, cruzou o Canal da Mancha, atravessou o País de Gales até o Mar da Irlanda, e competiu.

A imprensa da época apontou como a Mercedes “venceu tudo que podia ser considerado a quintessência da engenharia automotiva internacional”.

Eis uma rápida olhada em como o Classe S evoluiu…

Texto: Vijay Pattni

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Mercedes-Benz Nürburg 460

Carl Benz e Gottlieb Daimler fundiram suas duas companhias em 1926, e formaram a Daimler-Benz AG. E para celebrar, ela construiu o primeiro Mercedes de série com um motor 8-cilindros em 1928: o Nürburg (W 08) acima. Ele foi vendido até 1939, quando, uh, outro tipo de evento marcante aconteceu na Europa continental que meio que chamou a atenção de todos…

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Mercedes-Benz 770

Este era um carro alemão bem grande, com um motor 8-cilindros 7.7 bem grande e bem sobrealimentado, com uma história bem infeliz. Este Mercedes 770 era, de acordo com a Mercedes, usado “principalmente por chefes de estados depostos e figuras de alto nível…” Um deles era Hitler. Ainda assim, era a opulência e extravagância dos anos 1930 no seu ápice. Há alguns anos, um foi vendido por £9 milhões. Ele pertencia ao Hitler.

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Mercedes-Benz 300

Quando o Mercedes 300 foi lançado, ele tornou-se o mais rápido carro alemão de série, com uma estonteante velocidade máxima de 160 km/h. Ele tinha um motor 3.0 seis-em-linha, e a imprensa suíça na época declarou-o “um marco na história da engenharia automotiva”.

Parte desta engenharia incluía um mecanismo de segurança que prevenia as portas de abrirem do nada, uma suspensão com barra de torção operada eletricamente para nivelar a carroceria quando o carro estivesse carregando muito peso, e até vinha com aquecimento interno de série!

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Mercedes-Benz 220

Este 220 marcou o ressurgimento da Mercedes no pós-guerra e o retorno da companhia à produção de automóveis de luxo. E claro, tinha alguma tecnologia. Este modelo, que logo teria a famosa letra “S”, tinha zonas de deformação na frente e na traseira – foi a primeira vez que algo assim foi aplicado num carro de série – um volante acolchoado, portas com pinos das travas, freios a disco e um sistema de frenagem com duplo circuito.

O 220 A, 220 S e o 220 SE tinham, inclusive, “espaço interno aumentado” graças à esse formato “ponton”, uma embreagem automatizada, injeção de combustível controlada manualmente e até mesmo aquecimento separado para o motorista e o passageiro. Isso que é luxo!

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Mercedes-Benz 600

Você se lembrará deste carro: Jeremy comprou este carro na 11º temporada (James comprou o Rolls-Royce), e é um carro monstruoso. Ele apareceu um ano e meio depois que o último 300 saiu da linha de montagem, e tinha um 6.3 V8 que tornou-o o Benz mais caro da época.

Como o Jeremy contou na época, ele era o favorito dos cavalheiros que podiam chamar um ataque aéreo num piscar de olhos, e portanto era temido e respeitado. Mas ele era impecavelmente montado: suspensão a ar, vários equipamentos hidráulicos (incluindo a tampa do porta-malas), e um entre-eixos grande o bastante para intimidar.

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Mercedes-Benz 250S/300SEL

Os sedãs W108 e W109 substituíram o velho Benz “Fintail” de 1965, e continha inovações como uma mola hidropneumática no eixo traseiro, suspensão a ar e um sistema de segurança para a direção. Ah, e este W108 tinha a versão 300 SEL, que tinha, claro, o bem-sucedido 6.3 V8, sendo que uma variante dele terminou em segundo nas 24 Horas de Spa-Francochamps em 1971. Eles o chamavam “The Red Pig” (“O Porco Vermelho”).

De fato, a imprensa alemã na época – testando um 300 SEL sem emblemas – notou a “perplexidade de muitos donos de Porsche 911 e 911 S, normalmente acostumados a serem os reis das autobahns, que agora viam-se deixados para trás pelo inócuo Mercedes”.

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Mercedes-Benz Classe S (W116)

Finalmente, após anos flertando com a letra “S” nos seus modelos top-de-linha, a Mercedes finalmente mandou brasa e batizou o seu carro-chefe como Classe S. E condizente com sua nova posição como o Rei dos Benz, este novo Classe S tinha um tanque de combustível à prova de colisões, um volante de segurança, janelas laterais e lanternas traseiras que repeliam sujeira, e – a partir de 1978 – foi o primeiro carro de série a vir com ABS.

Além disso, este Classe S também tinha controlador de velocidade, suspensão auto-nivelante e foi o primeiro carro de série a vir com um motor turbodiesel: o 300SD de 1978.

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Mercedes-Benz Classe S (W126)

1979 foi o ano quando a Mercedes decidiu deixar os pára-choques reluzentes de lado e instalar pára-choques de plástico deformável. Para os detichistas por pára-choques cromados, este realmente foram tempos sombrios; o começo do apocalipse. Mas para a elite rica que comprou o Classe S W126, isso significava poder acertar carros de pessoas inferiores sem precisar trocar o “queixo” do carro.

O novo Classe S vinha com airbags, motores V8 feitos feitos inteiramente de liga metálica, uma carroceria com um elemento bifurcado longitudinal para cumprir os requisitos dos crash tests offset (foi o primeiro carro a fazer isso) e controle de tração (ASR) como opcional nos modelos V8.

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Mercedes-Benz Classe S (W140)

Este foi um bom Classe S, porque este Classe S foi o primeiro carro de série da Mercedes a ter um V12. Ele foi, de fato, o mais potente carro de passageiros da companhia (na época) com o 600 SE e o 600 SEL.

Mas claro que ele também tinha muita bruxaria eletrônica, incluindo: programa eletrônico de estabilidade (ESP) de série a partir de 1995, ABS, sensores de estacionamento, sistema de navegação, suspensão adaptativa, sistema de auxílio para fechar portas e porta-malas, vidros laterais laminados, controle por voz e uma “total ausência de clorofluorcarbonos”.

Ou seja, CFC. Eram os anos 1990, afinal.

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Mercedes-Benz Classe S (W220)

Os pioneiros da Mercedes devem estar se movendo em suas covas, com este novo Classe S deixando de lado metais à prova de bombas e chumbo e outras coisas pesadas, e optando por materiais leves como liga-leve e plástico. Plástico! Num Classe S!

Ainda assim, outras coisas boas aconteceram, no formato do primeiro Classe S AMG, o S55 AMG, enquanto a preocupação da Mercedes com a segurança resultou no sistema de proteção aos passageiros Pre-Safe. Ele “iniciava medidas” no caso de uma colisão iminente. Infelizmente, isto não incluía palavras reconfortantes e o tema de He-Man.

Ele também tinha controle ativo da carroceria, bancos ventilados, sistemas de corte de cilindros, um baixo coeficiente aerodinâmico, e acesso sem chave.

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Mercedes-Benz Classe S (W221)

Nós fomos seduzidos pelo atual Classe S. É provavelmente o melhor sedã de luxo à venda hoje. Até a próxima geração aparecer, claro. Você pode não estar muito preocupado com isso, mas ele foi o primeiro carro a receber um certificado ambiental. No entanto, você vai adorar o nível de seus equipamentos: sistema de visão noturna, auxílio de estacionamento, o sistema de freios Pre-Safe, controle de proximidade (que inclui frenagem automática), alerta de mudança de faixa de rodagem e inclusive um sistema de reconhecimento de placas de velocidade.

Na verdade, se tiver mais alguns sistemas de auxílio, ele poderia andar sozinho. E é isso que o próximo Classe S promete…

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 02/12/12, em Matérias traduzidas, News, TopGear.com e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. “Ele foi vendido até 1939, quando, uh, outro tipo de evento marcante aconteceu na Europa continental que meio que chamou a atenção de todos…”

    Hahaha muito boa!
    Em tempo: no início dos anos 90 eu ganhei uma W140 radiocontrolada a bateria. Tenho guardada na caixa até hoje. Lembro de passar fita isolante nas rodinhas e sentar o pé (digo, o dedo) no piso da garagem, e a barquinha fazia uns drifts sensacionais.

  2. Paulo Freire

    Interessante a história da Mercedes [ou melhor, dos carros dela] com… chefes de estado de poder absoluto.

  3. germaniobr

    Bela matéria!

  4. Ótima matéria com lindas fotos

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