James May em busca da Efervescência

DW-JMay-BH-Nu1qewwk8o2_500-2

Por muitos séculos, os seres humanos compreenderam que nós vivemos nas nossas mentes. Se você parar e contemplar sua própria existência, você terá consciência que este processo fútil está ocorrendo dentro de sua cabeça.

Mas por muito tempo, o cérebro praticamente desafiou diagnósticos físicos: é difícil de expô-lo – a Natureza cuidou disso – e é assustadoramente frágil quando revelado. Observar o interior do cérebro permaneceu como o procedimento mais invasivo imaginável. Vários métodos para fotografar o cérebro sem ter que abrí-lo foram inventados, mas o mais brilhante deles é a ressonância magnética.

Espero que você nunca tenha de entrar num equipamento de ressonância magnética, porque isso significará que pode ter algo de seriamente errado com você. Eu estive em alguns, mas puramente por efeitos de pesquisa, sem temer que algo terrível está prestes a ser revelado. Embora eu deva ter algo de errado, obviamente. Como não estou sofrendo, prefiro não saber de problemas com esta aptidão para saber de coisas. Complexo, né?

Enfim, é uma experiência um tanto desconcertante, e algumas pessoas tiveram de serem sedadas antes de entrarem no tal equipamento. É claustrofóbico, a sua cabeça fica presa numa espécie de jaula, para que os resultados não sejam prejudicados pelo equivalente médico de uma “foto tremida”, e faz uma barulheira e tanto. Felizmente, a sensação de ser enterrado vivo é superada pela admiração que esta máquina nos faz sentir.

Como ela funciona? De maneira bem complicada, para ser honesto, e é por causa da maneira como os prótons da água dentro dos seus órgãos respondem aos campos magnéticos. O resultado, no entanto, são as imagens infinitamente discerníveis de um órgão que a máquina produz numa tela. Então você pode observar um cérebro, por exemplo, e fatiá-lo no computador a partir do conforto da sua cadeira.

Eu entrei numa máquina de ressonância como parte da minha contribuição para uma nova série da BBC, apresentada por Dara Ó Briain, chamada “Science Club”. Não quero entregar nenhum detalhe antes da hora, mas a parte realmente impressionante foi esta. O scanner não podia apenas ver o meu cérebro, como ele também podia mostrar partes do meu cérebro que respondiam a estímulos. E isto me deixou imaginando: será que a ressonância magnética poderia revelar a origem da Efervescência?

Obviamente, esses equipamentos são caros – custam entre R$3.4 milhões e R$10 milhões – e estão sob demanda constante para salvarem vidas, não para investigar minhas reações irracionais a supercarros italianos. Mesmo assim, é um experimento interessante.

Eu havia dito que a Efervescência existe em algum lugar atrás do meu “salão de cavalheiros” mas abaixo do meu estômago, e ela é ativada quando estou dentro de uma Ferrari, além de outras coisas. Mas voltemos à questão de existirmos dentro de nossas mentes.

A dor, por exemplo, está dentro de nossas mentes. Parece incrível que, quando o seu punho dói porque ele está envolto por uma bandagem após um acidente envolvendo um carrinho de supermercado, o analgésico sabe onde ir para dar um jeito nisso. Você o coloca na sua boca, mas ele atua na ponta do seu braço. Como?

Porque é o cérebro que está dizendo-lhe que o seu pulso dói, como um alerta para evitar o sexo solitário por um tempo, e o que o comprimido faz é corromper o e-mail cerebral dentro de sua cabeça. Ele não o cura de maneira alguma, ele apenas nega que tenha algo de errado. Cataflam é realmente uma droga alucinógena.

Então, deduzi que a PERCEPÇÃO da Efervescência está na cabeça, e se desse para ficar deitado dentro do scanner enquanto uma Fezza é empurrada até a linha vermelha, tenho certeza que algum córtex ou algo do tipo possa ser descoberto todo inflamado de prazer. Pronto.

No entanto – e de volta ao punho do idiota – o inchaço resultante da lesão é definitivamente algo localizado. É por isso que os anti-inflamatórios atuam na fonte da dor. Eles contém estruturas moleculares que grudam-se nas estruturas que produzem o inchaço e as neutralizam. A redução do inchaço acontece no seu punho, mas a informação de que ele já não dói tanto está dentro de um arquivo enviado para o departamento administrativo no andar de cima.

Se quiséssemos suprimir a Efervescência, poderíamos criar algo que atuasse nas nossas mentes. Mas não queremos isso; queremos encontrar sua origem, o que significa procurar por uma reação em algum outro tecido. A ressonância magnética talvez possa fazer isso, se fosse possível dirigir uma Ferrari deitado num tubo vibrador de magia médica.

Só acho que é uma ideia intrigante, só isso.

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 14/01/13, em James May, Matérias traduzidas, News e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Isso vai acabar sendo feito (a ressonância em uma ferrari)…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: