James May e a privacidade

james may

No futuro, algo como privacidade pode não existir. A era digital cuidará disso.

No passado – o meu passado, na verdade – juntar e distribuir informação era um negócio trabalhoso e lento, tanto que, se não fosse algo particularmente engajante, nós geralmente não ligávamos.

Mas agora, o menor dos caprichos pode ser indultado rapidamente e sem esforço. Você pode investigar uma incomum e exótica tendência de pornografia ou, como eu fiz agora a pouco, algumas fotos de esboços de locomotivas diesel-elétricas britânicas dos anos 1950. Ou arranjos de flores ou drogas estimulantes; qualquer coisa. Tudo está lá fora, e a maioria das crianças de 6 anos pode achá-los para você.

A aquisição de coisas que antes exigiam que você corresse o risco de ingressar numa organização repulsiva ou completamente embaraçante de algum tipo – estou pensando nas locomitvas de novo – agora está disponível em sua casa. Então provavelmente deve valer a pena dar uma olhada.

O problema é que o Google o os governos – supostamente – sabem o que você está pesquisando, sabem tudo que você já pesquisou, e podem formar uma boa estimativa do que você poderá pesquisar no futuro. Eles também poderiam revelar tudo isso, pois a mesma tecnologia que tornou tudo tão acessível é a mesma que irá deixá-lo incrivelmente encrencado. Não existe almoço grátis.

Mas será que isso importa? Não é segredos que todos nós fazemos isto, e a revelação de que meu vizinho acessa o avirgemeocavalo.com dificilmente me chocaria. Então não precisaríamos de qualquer privacidade no futuro, pois não haveria vergonha. O que provavelmente é algo bom.

Todos nós estamos contribuindo para a erradicação da vergonha. Ser famoso era uma amibção, mas agora é um mero passatempo. Se você tirasse uma foto na época da minha adolescência, ela só podia ser passada para outras pessoas fisicamente e isso envolveria algum tipo de método de impressão. Agora você pode passá-la ao mundo em alguns minutos, de qualquer lugar do mundo, e o que vale para aquela foto da locomotiva Deltic Class 55 também vale para uma foto ardilosa dos “vegetais” expostos de um herdeiro ao trono.

É a mesma coisa com a correspondência. Cartas escandalosas demoravam anos para surgirem, mas agora elas viraram e-mails, e literalmente todo mundo no planeta pode ter uma cópia de um bem pomposo para uma nora em potencial sobre maneiras à mesa. Mesmo se você usasse papel velino e uma pena, demoraria poucos minutos para escaneá-lo e anexá-lo a um tweet. Todos estão equipados para aumentar o fardo da história, e é bem divertido.

Onde isto deixa o Top Gear? É exatamente isto que me preocupa. Hoje em dia, é bem difícil surpreendê-los na telinha, porque tudo que fazemos em qualquer lugar vagamente público é imediatamente filmado, fotografado ou notado e então exposto no Twitbook e FaceTube.

E, de algumas maneiras, isto é muito bom para nós. “Spoilers” no YouTube geralmente são pedaços desconexos de filmagens, e meramente demonstram todo o nosso esforço para tornar nossas palhaçadas simplórias um programa de TV vagamente interessante. A “magia” do Top Gear – algo sobre o qual nos perguntam bastante – é em grande parte graças aos diretores, câmeras, técnicos de som, editores, produtores e todos os outros membros do enorme e desconhecido exército de especialistas que são escravizados ingratamente para colocarem três retardados na telinha.

Mas por quanto tempo? O Povo com o poder da era digital é algo muito recente, e há muito a se aprender. Mas iremos aprender. Veja o carro: no seu começo, manter e dirigir um era algo bem trabalhoso, para um profissional, e todos achavam que a quantidade de carros seria limitada pela disponibilidade de choferes. Logo, todos estavam dirigindo-os, e agora ter um carro não é tão extraordinário quanto ter sua própria caneta. Essa transição levou apenas uns 50 anos.

Então eu imagino um futuro onde não precisaremos editar ou filmar o Top Gear. Vocês farão isso por nós. Nós dirigiremos alguns carros que custam £500 até a França (onde os produtores planejaram uma série de desafios), e vocês fornecerão suas imagens para criar um filme. Várias versões do mesmo filme, quem sabe.

Estranho. Por anos, todos falavam da decadência do apresentador de TV profissional, e eu aceitei o argumento. Mas agora eu acho que são as pobres equipes de filmagem que estão sob perigo.

Isso não vai acontecer por um tempo, mas chegará o dia quando nós meramente faremos o Top Gear. E vocês serão os responsáveis por ele.

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 12/02/13, em James May, News e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Tá explicado o porque ele não tem uma conta no Face, procurei pacas e só tem o do Jeremy.

    Heheheh.

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