A trilha sonora de Richard Hammond

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Alguém que mora perto de mim dirige um Subaru Impreza. Eu não sei exatamente onde ele mora, e eu nunca o vi, mas ele enriquece minha vida com esse áspero, amavelmente ridículo e borbulhante boxer 4-cilindros.

Eu gosto do Subaru Impreza; é um bom carro, e ouvir o estrondo através da minha cozinha enquanto o dono faz seu caminho para casa me faz sorrir durante o jantar. Eu gosto de imaginar sua forma, seus ângulos pontudos – esperando que seja azul de corrida com rodas douradas – sujo com lama. O motor incomum me faz pensar em estágios de rally, de extensas curvas de cascalho, curvas fechadas mortais e retas cercadas por florestas com árvores bem próximas e um céu cinzento.

E, para ser um bom vizinho, eu promovo um serviço parecido. Eu tenho certeza que meus vizinhos apreciam o canto do boxer 6-cilindros do meu 911, e sorriem para si mesmos imaginando ele chicoteando pelos portões, suando e exausto depois de correr desde Londres até em casa. Todo mundo sabe que é exatamente assim que um 911 gosta de ser tratado, e então ouvir seus merecidos suspiros enquanto arrasta sua carcaça cansada pela entrada e despenca na porta da frente, os escapes chacoalhando enquanto esfriam na chuva, é um poema sonoro para fazê-los sorrir. E é grátis também.

Eu vou além, neste serviço aos meus vizinhos, e forneço a ocasional salva do suave, murmúrio rouco do seis-em-linha do meu Sunbeam 1934. Às vezes eu dou à eles um solo raivoso, áspero e vil do estridente seis-em-linha do meu E-Type, e, em ocasiões especiais, a heróica explosão do escape direto do velho V8 do meu Mustang que anuncia a chegada de uma nova manhã com sua musica folk sobre colarinhos azuis, dinheiro, corridas em semáforos e noites nos “diners”.

E por que todo esse inesperado entusiasmo para a contribuição auditiva que nossos carros fazem para o mundo? Bem, se você gosta de todos estes sons, dos silvos evocativos dos freios a ar ao ruído áspero e sincero de um simples motor Honda usando um escape barato e mal-feito, você deve estar ciente que sua orquestra automotiva talvez esteja sentindo falta de uma seção inteira.

Há os que não tem coração e alma, que condenam as motos com uma frivolidade sem sentido, um dispositivo útil apenas para remover da sociedade aqueles que sentem vontade de andar nelas. Eles ainda afirmam que a moto são uma válvula de alivio para os apelos homossexuais reprimidos do piloto, expressos sutilmente pelo ato de usar roupas de couro, não para a proteção, mas aparentemente, para provocar e estimular os inocentes motoristas que os seguem por quilômetros – por razões conhecidas apenas por eles próprios – obesrvando o traseiro do piloto. Eu acho que você sabe de quem eu estou falando aqui. Sim, é o Jeremy… Eu estava falando sobre Jeremy Clarkson.

Enfim, terminei minha divagação, e o negócio é que, é muito fácil falar mal das motos só porque você não gosta delas ou tem medo de andar em uma, mas, ao não olhar além do seu potencial de acabar com vândalos ou de que podem ser ferramentas da defesa do casamento homossexual, você estará privando-se de uma grande sinfonia de titilação auditiva que é o equivalente do que a seção de quatro rodas da mesma orquestra oferece. Como a 5º Sinfonia de Beethoven soaria se uma seção inteira de cordas ou metais, ou sei lá, ficasse em casa? Em uma rua qualquer, os seus ouvidos poderão ser atacados pelo bufar a diesel de um ônibus com o prazeroso contraponto de um Honda S2000 passando por perto. E então, uma moto aparece e estraga tudo.

No entanto, se você conseguir compreender, a peça pode ter sido aprimorada para você por um motor bicilíndrico de dois tempos, talvez uma antiga KR1S, gritando e ganindo enquanto o heróico piloto mantém as rotações na incrivelmente estreita faixa de potência e torce o pescoço da moto. Um motor bicilíndrico de alta capacidade berrando através de um escape especial indo pra marcha lenta com a embreagem zumbindo ruidosamente significa que uma grande moto esportiva, provavelmente uma Ducati, acelerando, então quase certamente logo aparecerá outra. O som típico de uma Harley-Davidson atravessando paredes em uma orgulhosa celebração da crise de meia-idade do piloto só pode fazer você sorrir, e até mesmo o monótono zumbido de uma pequena scooter tem uma canção para cantar sobre sonhos adolescentes de liberdade e batalha, se você entender as palavras.

Você não tem que pilotar uma, e não tem que usar calças de couro; assim como você não precisa tocar um teclado para ouvir Genesis. Apenas aprenda a compreender quando você ouvir uma, sente-se e aproveite a orquestra.

Tradução: Lukinhas.killer

Sobre johnflaherty

Meu nome é Sadao H. Konno, mas sou mais conhecido como "John Flaherty". Por quê? Porque sim, uai! Desde criança, eu gosto de carros, tanto que minha lembrança mais antiga dessa época é de uma capa da antiga Audi Magazine. Nunca fui muito de ler os grandes clássicos da literatura, mas o que me salvou foram as revistas especializadas em carros. Mais precisamente, a QUATRO RODAS, a MOTOR SHOW e, recentemente, a AUTO ESPORTE. Acho que foi em 2009 que descobri o Top Gear, e desde então, virei um grande fã da trupe formada pelo Jezza, Hamster, Capitão Lerdo e Stig. Em 2010, inspirado por uma amiga da faculdade, decidi começar a legendar vídeos do Top Gear e postá-los no YouTube. Infelizmente, minha conta foi bloqueada pela BBC, mas agora, ofereço suporte ao blog Top Gear BR.

Publicado em 12/10/12, em Hammond, News, TopGear.com e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Richard ♥
    E agradecimentos pela tradução xD

  2. Belo testo, ele explicou tudo muito bem, gostei bastante!

  3. Eu tenho um gosto particularmente parecido com o do Hammond.
    Só não tenho a oportunidade de pilotar tantas máquinas (hahaha)

    Existe um certo sujeito que vez ou outra passa pelo centro da cidade rodando em uma custom com aquele gigante V2 borbulhante e estralador. Você nota o piloto vibrando no ritmo das RPMs. É um deleite aos ouvidos.
    E, se Deus permitir, eu tiver dinheiro e não chover ainda compro minha CBR1000 Repsol. Só de ouvir aqueles caras passando à toda com o motor batendo nas 15.000RPM ou mais me deixa inquieto.
    As notas altas de um motor de giro estratosférico… Ah… Lexus LFA, 458 Italia.
    Chega, senão meu coração não aguenta.

  4. No alto dos meus 18 anos (já faz um belo tempo), meu pai tinha um Kadett GSi, com aquela famosa ponteira dupla original que emitia um som único e reconhecível à distância.

    Quando eu saía da casa da minha namoradinha na época, no sábado à noite, ela ficava ouvindo aquele ronco inconfundível berrando no silêncio… e conseguia distinguir se eu ia direto pra casa, ou se eu ia encontrar os meus amigos e continuar a noite… aí no domingo a discussão era certa hehehe.

  5. germaniobr

    Sei exatamente o que o Hammond quer dizer.

    Sempre fui um apaixonado por sons de todos os tipos. Já fui vocalista de uma banda que só tocava rock, e como todo mundo que curte um rock, o som tem de ser vibrante.
    Pra todo bom “roqueiro”, quanto mais encorpado, mais abafado o som, mais belo ele é.

    Desde adolescente, sempre fiquei fascinado pelo som dos motores V8. Encorpados, parecendo estar fora de ponto e borbulhando gasolina. Quem é incapaz de sorrir ao ouvir um 302 Ford ou um 318 Dodge é surdo ou insensível. Ainda terei um V8. Não serei capaz de morrer feliz antes disto.

    No mundo das motocicletas, só há um tipo de motor capaz de causar em mim o mesmo arrepiar de pelos de um V8: O V2 das motos custom.
    Meu primeiro veículo motorizado, o primeiro de todos mesmo, foi comprado aos 28 anos.
    Tive o prazer (e a saudade até hoje) de comprar uma Yamaha Virago, uma custom de 535 cilindradas, refrigerada à ar (como as Harley Davidson) e tracionada por cardã (como todos os bons V8 tração traseira)…
    Laranja chamativa, T-Bar, apoia pé avançado e um ronco lindo…
    Infelizmente, tive de me desfazer para comprar meu primeiro carro, mas depois de comprar minha casa, voltarei a comprar outra. Porém, desta vez customizarei ao estilo old-school, inspirada nas motos da 2ª Grande Guerra.

    Pra matar a saudade e compartilhar com vocês, aí vai um vídeo que fiz dela depois de uma bela lavada:

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